Setor algodoeiro segue otimista mesmo após surto de coronavírus

O surto de coronavírus não tirou o otimismo do cotonicultor mato-grossense, que enviou para a China mais de 300 mil toneladas da pluma, em 2019, cerca de 32% do total enviado para o exterior. A previsão para este ano, no entanto, ainda é incerta, mas, se depender do ânimo dos representantes do setor, os números devem permanecer no mesmo patamar ou até ganhar um incremento. Para a agência de classificação de risco Moody´s, a doença deve afetar a economia chinesa temporariamente e manteve a estimativa de crescimento do país em 5,8% neste ano. No ano anterior, o crescimento foi de 6,1%, menor índice registrado em quase 30 anos, conforme dados do governo chines.

Segundo a agência, o surto de coronavírus tem seu principal efeito sobre a economia da China por meio de seu impacto sobre os consumidores e as cadeias de suprimentos. Com a quarentena, muitas indústrias estão paradas, sem a mão-de-obra necessária para as atividades. Além disso, o feriado do ano novo chinês foi estendido.

Carlos Menegatti, diretor de comercialização da Cooperfibra, disse que, até o momento, as operações seguem dentro da normalidade. “Apesar do mercado internacional ter sentido um pouco os efeitos do surto”, comenta.

Localizada em Campo Verde (140 km de Cuiabá), a cooperativa conta com 198 cooperados, que produzem cerca de 120 mil toneladas. “Desse volume, o mercado chinês absorveu 20%”, calcula.

O diretor explica que todo o envio é foi feito por meio das tradings e que estas sim sentiram mais os efeitos do surto. “A princípio era mais a dúvida, a falta de informação se seria possível ou não carregar para a China, se a cidade ou os portos estariam parados em razão da quarentena. No que tange aos produtores, o otimismo permanece”, disse.

Na cooperativa, a previsão para 2020 é continuar enviado ao menos 20% da produção para a China. “Devemos manter, se tivermos alguma alteração nos números creio que será para mais”, avalia.

Brasil

Para a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), ainda é cedo para arriscar um prognóstico acerca dos efeitos, no mercado de algodão, do fim da guerra comercial entre Estados Unidos e China e também da epidemia de coronavírus. Este último derrubou, por três dias seguidos, os preços da commodity no fim de janeiro.

Em 2019, o Brasil alcançou a segunda posição no ranking mundial de países exportadores, e a China foi o destino de 34% do total de algodão produzido no país.

FONTE: O LIVRE