Apesar de crise política, China vai seguir comprando soja oriunda de Mato Grosso

Com quase 1,5 bilhão de habitantes, a China não deve parar de comprar a soja brasileira. É o que acredita o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Antônio Galvan. “A demanda por alimentos em grãos é enorme e a China vai precisar compras dos Estados Unidos, mas também do Brasil”. A estimativa é embarcar 8,5 milhões de toneladas de soja até maio.

Galvan acha que são apenas boatos que o governo chinês esteja revendo as compras do Brasil por questões sanitárias. “Isso não existe, é apenas uma polêmica”, defende. O otimismo do presidente da Aprosoja é justificável, pois devido à pandemia da Covid-19, os estoques de soja na China estão baixos porque o país importou somente 4 milhões de toneladas em março, situação que não ocorria desde 2016.

Para o economista Vítor Galesso, apesar da tranquilidade que o mercado chinês passa em relação à alta demanda por alimentos, é preciso ter cautela. Ele alerta que as crises políticas protagonizadas por membros do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), podem prejudicar as negociações.

Questão diplomática

Em publicação recente no Twitter, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez publicação considerada racista ao povo chinês. Ele apagou em seguida e afirmou que só vai se desculpar se a China enviar respiradores ao Brasil.

“A situação de tensão pode levar a China a boicotar produtos brasileiros, mas ainda que mantenham as compras dos Estados Unidos, é preciso lembrar que esse é um mercado complexo e empresas dos EUA compram a soja brasileira”, explica Galesso. Entre essas empresas citou a Cargil que atua em Mato Grosso e ainda o Grupo Amaggi que tem sede em outros países.

No primeiro bimestre de 2020, a China comprou 25% menos soja do Brasil. O total foi de 4,682 milhões de toneladas agora, contra 6,317 em 2019, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Mas a situação de reverteu e com o aumento do dólar, chegando a R$ 5,20, a China tem aumentado a demanda por soja brasileira.

Os agricultores brasileiros venderam 61% da produção estimada para esta safra até 6 de março, acima do mês anterior. Outra boa surpresa é que foram antecipadas as vendas para a próxima safra, com valores até melhores, espera-se que depois de abril, com a reabertura de vários setores da China, os embarques devem somar 8,5 milhões de toneladas em maio, segundo o Centro Nacional de Informações de Grãos e Óleos da China.

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