Saca da soja atinge recorde em MT embalada por fatores externos

Pela primeira vez na história local, a saca da soja ultrapassou a casa dos R$ 100, movimento registrado no final da semana passada, na última quinta e sexta-feira. Numa maré de acontecimentos positivos, a saca chegou a bater R$ 104 em Rondonópolis, praça com a melhor cotação da oleaginosa no Estado.

Como explicam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço da soja em Mato Grosso refletiu uma conjuntura favorável do momento que envolveu a alta do dólar, dos preços em Chicago, do prêmio exportação e da demanda interna para esmagamento.

“Com pouca soja disponível no Estado, as indústrias de processamento ‘tomaram a frente’ das negociações e ofertaram spread (uma taxa a mais para ter o grão) maior em relação aos preços da soja para exportação. Com isso, a oleaginosa mato-grossense apresentou alta de 9,29% na média semanal, cotada a R$ 97,66/sc”, explicam os analistas do Imea.

O pagamento de um ‘plus’ para se ter a certeza de soja em volumes necessários para as indústrias se ilustra nos números: Junho abriu com quase 93% da produção – safra 2019/20 – comercializados. Menos de 7% de um total de 34,50 milhões toneladas ainda estão disponíveis para negócios. A valorização cambial, que torna o grão mais atrativo para exportações e mais acessível para compradores externos, motivou a busca pela soja. Em igual momento do ano passado, 79,59% da produção estavam vendidos.

A agitação do mercado de soja refletiu em todo país, como aponta o relatório semanal da Agência Safras. “A semana no mercado brasileiro foi de recuperação dos preços. Com o dólar voltando à casa de R$ 5,40, as cotações da oleaginosa subiram nas principais praças do País. A movimentação melhorou também para operações envolvendo a produção de 2020 e até a de 2021”.

A melhora nos preços da soja está ligada ao comportamento do dólar. A moeda norte-americana subiu 6,42% a semana passada, pulando de R$ 5,046 para R$ 5,37 no último pregão da semana. Os temores sobre uma segunda onda do coronavírus, comprometendo a recuperação global, e as incertezas políticas internas, sustentaram a moeda americana.

As cotações domésticas também receberam impulso da alta moderada dos contratos futuros em Chicago. A boa demanda chinesa garantiu a alta, que foi limitada, no entanto, pelo bom desenvolvimento das lavouras americanas.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu para R$ 112. Na região das Missões, a cotação avançou para R$ 111,50. No porto de Rio Grande, o preço passou para R$ 116.

Em Cascavel, no Paraná, o preço aumentou para R$ 108,50 a saca. No porto de Paranaguá (PR), a saca subiu para R$ 115.

Em Rondonópolis (MT), a saca avançou para R$ 104. Em Dourados (MS), a cotação atingiu a casa de R$ 100. Em Rio Verde (GO), a saca aumentou também para R$ 100.

FONTE: DIÁRIO DE CUIABÁ